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Mercado de Ações Verde: Encontrando Oportunidades Sustentáveis

Mercado de Ações Verde: Encontrando Oportunidades Sustentáveis

28/01/2026 - 03:59
Matheus Moraes
Mercado de Ações Verde: Encontrando Oportunidades Sustentáveis

O mercado de ações verdes vem ganhando força no Brasil e no mundo, impulsionado por uma demanda crescente por investimentos responsáveis e alinhados a metas climáticas.

Em 2026, essa tendência se consolida como caminho para investidores que buscam retorno financeiro aliado a impacto socioambiental.

Entendendo o Mercado Verde

As ações verdes são emitidas por empresas que obtêm mais de 50% da receita bruta de atividades ligadas à economia sustentável.

Essas companhias destinam mais de 50% de seus investimentos em projetos verdes e geram menos de 5% de receita oriunda de combustíveis fósseis, seguindo a taxonomia da UE.

A B3 se destacou como a terceira bolsa global a rotular ativos desse tipo, facilitando a criação de carteiras sustentáveis e atraindo capital para IPOs e companhias já listadas.

Desempenho de Índices ESG

Em 05/02/2026, o índice IBOV registrou alta de 0,23%, enquanto o ISE (Índice de Sustentabilidade Empresarial) avançou 0,85%, refletindo o crescente compromisso das empresas com critérios ESG.

Outros benchmarks relevantes incluem o S&P/B3 Brasil ESG, que exclui empresas que violam o Pacto Global da ONU, e o ICO2, voltado à transparência em emissões de carbono.

Empresas e Projetos em Destaque

O Brasil abriga iniciativas de grande impacto, que atraem investimentos nacionais e internacionais:

  • Serra Verde: recebeu financiamento de US$ 565–570 milhões da DFC dos EUA para expansão da única mina comercial de terras raras no país. A meta é produzir 6.500 toneladas/ano de óxidos até 2027, reduzindo a dependência chinesa.
  • Axia Energia (ex-Eletrobras): parceria com a GIZ da Alemanha para a primeira planta de aço de baixo carbono via hidrogênio verde, com capacidade de 10 MW e foco em certificação profissional.
  • WEG (WEGE3): nova fábrica de BESS em Itajaí-SC, com capacidade 2 GWh/ano e financiamento de R$ 280 milhões pelo BNDES/FINEP. A ação subiu 3,07% com expectativa de aporte contínuo em baterias.

Esses cases ilustram como projetos de grande escala podem gerar retornos consistentes, ao mesmo tempo em que promovem a transição energética e a descarbonização da matriz produtiva.

Números e Dados Chave

Políticas e Incentivos no Brasil

O governo federal tem articulado medidas para estimular investimentos em tecnologia e infraestrutura limpa.

  • Projeto de urgência para incentivos fiscais a datacenters, votado em fevereiro de 2026, visando atrair investimentos e empregos.
  • Diretrizes para o mapa da transição energética, lideradas por MME, MMA, Fazenda e Casa Civil, com cronograma acelerado para saída de fontes fósseis.
  • Diálogo bilateral entre os presidentes Lula e Trump focado em minerais críticos como lítio, nióbio e terras raras.

Ademais, bancos como o Itaú ampliam linhas verdes, e fundos como o Verde Asset/Vinci Partners buscam levantar R$ 1 bilhão em infraestrutura sustentável.

Tendências Globais e Projeções para 2026

O mercado global de títulos verdes alcançou €1,9 trilhão no terceiro trimestre de 2025, ante apenas €30 bilhões dez anos atrás.

Em 2025 foram emitidos cerca de €420 bilhões em green bonds, sinalizando maturidade e apetite por descarbonização, soluções climáticas e restauração de ecossistemas.

Na União Europeia, o BEI destinará €3 bilhões para mitigar impactos do mercado de carbono em aquecimento e transporte a partir de 2028, enquanto regras sobre veículos elétricos são moderadas devido a desafios de adoção.

Investidores prioritizam estratégias de carbono neutro e economia global de baixo impacto, conforme diretrizes de instituições como BNP Paribas.

Estratégias de Investimento e Carteira Recomendada

Para quem deseja compor uma carteira verde em 2026, é fundamental diversificar entre setores e classes de ativos.

  • Alupar (ALUP11): foco em transmissão e geração, beneficiada pela expansão de redes renováveis.
  • Motiva (MOTV3): infraestrutura renovável, metas de neutralização de emissões.
  • Telefônica Brasil-Vivo (VIVT3): telecom defensiva com alta transparência ESG.
  • B3 e Itaú: reconhecidos pela qualidade de governança e instrumentos sustentáveis.

Além disso, monitorar os índices ISE e S&P/B3 ESG permite avaliar desempenho e riscos de forma estruturada.

Riscos e Considerações Finais

Apesar do potencial, existem desafios: dependência de mercados externos (como a China em terras raras), prazos regulatórios que podem sofrer adiamentos e resistência política em alguns países.

É crucial manter uma visão de longo prazo, avaliar relatórios de sustentabilidade e adotar rebalanceamentos periódicos conforme avanços tecnológicos e regulatórios.

No horizonte de 2026, o Brasil tem condições de liderar o G20 em finanças verdes e desempenhar papel central na COP30, atraindo recursos e consolidando uma economia verde robusta.

Investir em ações verdes não é apenas uma estratégia de diversificação: é um compromisso com o futuro do planeta e uma oportunidade de retorno sustentável.

Matheus Moraes

Sobre o Autor: Matheus Moraes

Matheus Moraes é pesquisador e criador de conteúdo financeiro no ganhodireto.com, dedicado a analisar tendências de crédito, comportamento de consumo e oportunidades de renda. Seus artigos unem dados e prática para ajudar leitores a tomarem decisões mais estratégicas.