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Desmistificando o Retorno: Investimento Sustentável Gera Lucros?

Desmistificando o Retorno: Investimento Sustentável Gera Lucros?

26/02/2026 - 17:41
Bruno Anderson
Desmistificando o Retorno: Investimento Sustentável Gera Lucros?

Em meio a debates sobre finanças e responsabilidade socioambiental, surge uma questão crucial: será que investir de forma sustentável compromete ganhos financeiros? Dados robustos e recentes apontam o contrário, demonstrando que a incorporação de critérios ESG eleva a performance e traz vantagens competitivas.

Neste artigo, exploraremos as evidências de mercado, o desenvolvimento global e local, os desafios enfrentados e as tendências que moldarão o futuro dos investimentos sustentáveis.

O mito do sacrifício de retornos

Por muito tempo, prevaleceu a crença de que incluir fatores ambientais, sociais e de governança significava reduzir o potencial de ganhos. Investidores temiam que a seleção restrita de ativos limitasse oportunidades e elevasse custos.

No entanto, estudos de instituições renomadas como Morgan Stanley e UBS demonstram que, na prática, fundos ESG superam fundos tradicionais em diversos cenários. Os números falam por si:

  • Primeiro semestre de 2025: 12,5% versus 9,2% em fundos tradicionais.
  • Análise UBS: 12,6% contra 8,6% em horizontes de longo prazo.
  • Retorno acumulado: US$100 investidos em ESG em 2018 renderam US$54; tradicionais, apenas US$45.

Esses resultados revelam que a busca por impacto positivo não é inimiga da rentabilidade, mas pode ser sua aliada.

Evidências de desempenho superior

Para entender melhor a magnitude desses números, vale conferir um panorama comparativo:

Além dos retornos absolutos, métricas ajustadas ao risco, como Índice de Sharpe e de Sortino, confirmam que carteiras sustentáveis geram volatilidade controlada e performance resiliente em altos e baixos de mercado.

Crescimento global e regional

O fluxo de recursos dedicado a estratégias sustentáveis experimentou um crescimento exponencial na última década, refletindo a crescente demanda de investidores por soluções alinhadas a questões climáticas e sociais.

De 2020 a 2021, foram captados mais de US$100 bilhões por trimestre em fundos ESG, elevando o patrimônio sob gestão (AUM) para quase US$2 trilhões. Em junho de 2025, a Europa concentrava 85% desse total, somando US$3,5 trilhões em AUM e 7.426 fundos dedicados.

Entretanto, desafios recentes surgiram no mercado:

  • 2023 Q4: fluxos negativos de €100 milhões na Europa.
  • 2024 Q1: primeira saída global de US$11,8 bilhões; Europa registrou resgates.
  • Recuperação em 2024 Q2: entradas de US$4,9 bilhões.

Mesmo com saídas nos EUA por dez trimestres seguidos, o cenário global se mostra dinâmico e sujeito a reversões, como indicam os ganhos de 17,2% em fundos europeus no primeiro semestre de 2025.

O cenário brasileiro em destaque

No Brasil, a formalização dos fundos de Investimento Sustentável (IS) em 2022 impulsionou uma onda de crescimento local. Em julho de 2025, esses fundos acumulavam:

  • PL de R$36,8 bilhões (+48,4% em 2025 e +89% em 12 meses).
  • Captação de R$8 bilhões, superando o total de 2024.
  • 149,8 mil contas ativas, um aumento de 86%.

Destaca-se também a predominância de renda fixa sustentável, responsável por 65% do PL (R$23,8 bilhões), e o crescimento de 246% em FIPs ESG, de R$666,5 milhões para R$2,3 bilhões.

Comparado ao total de ativos sob gestão no país, os fundos IS representam apenas 0,37%, indicando amplo espaço para expansão nos próximos anos.

Desafios e percepções do investidor

Apesar do avanço, persistem barreiras como o baixo grau de

letramento sustentável e o ruído político que pode gerar volatilidade de curto prazo. Pesquisa da PitchBook revela:

  • 66% dos investidores priorizam retornos de mercado mesmo em estratégias de impacto.
  • 83% planejam manter ou aumentar foco em retornos nos próximos anos.
  • Energia renovável e infraestrutura são vistos como setores de maior potencial.

Esses dados reafirmam que, para a maioria, o retorno financeiro é um pilar não negociável, e as soluções ESG devem entregar competitividade e mitigação de riscos.

Tendências futuras e oportunidades

O universo de investimentos sustentáveis caminha para consolidar seu track record e ampliar fronteiras. Entre as perspectivas mais promissoras, destacam-se:

  • Expansão de títulos verdes e debêntures sustentáveis, atraindo investidores institucionais.
  • Depósitos em energia limpa, hidrogênio e infraestrutura, apoiados por políticas públicas.
  • Integração de métricas sociais robustas, fortalecendo o impacto além do meio ambiente.

Com o mercado global projetando mais de US$35 trilhões em ativos sustentáveis até 2025 e o Brasil crescendo em ritmo acelerado, o panorama sinaliza não apenas uma tendência de curto prazo, mas uma transformação estrutural no sistema financeiro.

Conclusão: um novo paradigma de investimento

Desmistificar a crença de que sustentabilidade sacrifica retorno é fundamental para atrair capital e gerar mudanças positivas. Os investidores que hoje buscam performance aliada ao propósito encontraram no ESG uma estratégia capaz de entregar retornos superiores, resiliência em cenários adversos e alinhamento a futuros modelos de desenvolvimento.

Em um mundo cada vez mais consciente, embarcar nessa jornada não é apenas uma opção ética, mas uma decisão inteligente e lucrativa.

Bruno Anderson

Sobre o Autor: Bruno Anderson

Bruno Anderson é analista financeiro e redator no ganhodireto.com, especializado em organização de orçamento, controle de gastos e estratégias para aumentar a renda. Seu objetivo é oferecer conteúdos práticos que ajudem os leitores a conquistarem maior estabilidade e autonomia financeira.