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Decifrando o Mercado de Balcão: Oportunidades Fora da Bolsa

Decifrando o Mercado de Balcão: Oportunidades Fora da Bolsa

28/01/2026 - 22:22
Matheus Moraes
Decifrando o Mercado de Balcão: Oportunidades Fora da Bolsa

Em um cenário de recordes na bolsa e volatilidade global, o mercado de balcão surge como alternativa para investidores que buscam diversificação além da bolsa.

Neste artigo, exploraremos como as negociações OTC podem complementar sua estratégia, aproveitando dados recentes, riscos e projeções para 2026.

Entendendo o Mercado de Balcão

O mercado de balcão, ou OTC (Over-The-Counter), refere-se a negociações sem intermediação centralizada, permitindo acordos diretos entre compradores e vendedores.

No Brasil, essa atividade é regulada pela CVM e Anbima, contemplando derivativos, renda fixa privada e papéis não listados em bolsa.

Diferentemente da B3, que exige transparência total e uso de book de ofertas, o segmento OTC oferece flexibilidade em prazos e volumes, mas exige atenção ao risco de contraparte.

Panorama Atual: Dados e Tendências

Os dados do quarto trimestre de 2025 indicam que os derivativos OTC movimentaram R$4,230 bilhões, uma queda de 5% em relação ao ano anterior, refletindo menor apetite por produtos não padronizados.

Em contrapartida, as emissões de renda fixa privada alcançaram R$7,469 bilhões, com alta de 16% A/A, lideradas por debêntures e captações bancárias.

Enquanto o mercado de capitais global desacelera, investidores estrangeiros mantêm movimentos relevantes: R$26,9 bilhões em ações à vista, compensados por saídas de R$7,9 bilhões em futuros, muitos transacionados OTC.

Comparação de Performance: Bolsa vs OTC

O Ibovespa atingiu 182.127 pontos em fevereiro de 2026, acumulando alta de 44,3% A/A. Esse avanço, impulsionado por fluxos externos e dólar estável, contrasta com o crescimento moderado de derivativos OTC.

Porém, fundos imobiliários e de crédito, negociados em bolsa, replicam ativos OTC como CRIs e CRAs, criando uma ponte entre os dois mercados e ampliando liquidez.

Em um cenário de incerteza global, a combinação de renda variável e ativos de renda fixa privada pode reduzir a volatilidade geral da carteira.

Principais Oportunidades e Estratégias

O mercado OTC apresenta diversas portas de entrada, com condições customizadas para quem deseja:

  • Aproveitar yields superiores a títulos públicos;
  • Estruturar operações de hedge via swaps de DI ou prefixados;
  • Investir em ativos ilíquidos como private equity e CRIs;
  • Buscar diversificação geográfica e de classes;
  • Negociar grandes volumes sem impactar o preço.

As debêntures corporativas, por exemplo, oferecem rendimentos atrativos versus Selic e podem ser adquiridas sob condições negociadas diretamente com emissores.

Riscos e Recomendações

Apesar das vantagens, o OTC exige cuidados especiais com:

  • Risco de contraparte e falhas de liquidez e risco;
  • Transparência e divulgação de informações limitadas;
  • Exposição a setores específicos sem mitigação adequada.

Para mitigar esses riscos, recomenda-se operar via plataformas reconhecidas, exigir garantias e diversificar entre múltiplas contrapartes.

Estratégias de hedge, como contratos de derivativos customizados, podem proteger a carteira de oscilações inesperadas de taxas de juros e câmbio.

Perspectivas para 2026 e Além

A Selic em 15% ao ano continua atraente para investidores de renda fixa privada, e projeções do PIB entre 1,5% e 2% sustentam a demanda por crédito corporativo.

Com expectativa de cortes graduais nas taxas globais, swaps e derivativos podem ser reaproveitados para otimizar custos de financiamento.

Setores como imobiliário e infraestrutura mostram força: lançamentos residenciais cresceram 115% YoY, e o agronegócio segue como alicerce nos balanços das empresas.

Conclusão

Em um ciclo de alta nos mercados acionários, o mercado de balcão surge como oportunidade em ativos ilíquidos e estratégias personalizadas.

Ao integrar operações na bolsa com negociações OTC, investidores podem alcançar maior eficiência na diversificação e capturar retornos ajustados ao risco em diferentes cenários econômicos.

Com diligência, uso de contrapartes seguras e gestão ativa, o OTC se firma como complemento essencial para portfólios robustos em 2026.

Matheus Moraes

Sobre o Autor: Matheus Moraes

Matheus Moraes é pesquisador e criador de conteúdo financeiro no ganhodireto.com, dedicado a analisar tendências de crédito, comportamento de consumo e oportunidades de renda. Seus artigos unem dados e prática para ajudar leitores a tomarem decisões mais estratégicas.